Final de tarde de quarta-feira. No centro de Montes Claros, umas das cidades-pólo de Minas Gerais, um jovem catador, mancando, pergunta se deixaram pra ele algum material reciclável. Sim, respondem. O catador, vagarosamente, percorre, mancando, toda a extensão do pátio da loja e vê monitores e um scanner separados pra ele guardados debaixo de um tanque.
Ele novamente percorre devagarzinho, mancando, toda a extensão do pátio da loja e pega o seu carrinho, já cheio de materiais recicláveis, e vai pegar os eletrônicos inutilizados para alguns, mas que pode ter serventia para outros, segundo o próprio catador, que, mesmo aparentando ser jovem, já carrega características da velhice causada pelo sofrimento da vida: cabelos grandes encaracolados e brancos.
O catador arruma o carrinho pra caber mais coisas dentro. Organiza-o. Ajeita os eletrônicos ali dentro e sai, vai embora, sempre mancando. A primeira impressão é a de que o sangue não circula mais em um de seus pés por causa de tantas caminhadas percorridas por ele. “Ei, moço, me ajuda, por favor, a colocar estes papéis e papelões no meu carrinho pra eu ir embora pra casa guardá-los e amanhã vendê-los para ajudar na minha vida, na vida de minha família?”, solicita ainda o catador no caminho de casa, a outras duas pessoas...
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