terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Secretário de Comunicação de MOC escreve, em artigo, que jornalistas têm “buraco na consciência”

Insulto é dirigido, particularmente, a Waldyr Senna Batista e Jorge Silveira, dois jornalistas renomados da cidade

Publicado na edição de 6.254 do “Jornal de Notícias”, quarta-feira, 11 de janeiro de 2012, o artigo “Bendito sejas tu, ó buraco”, de Hamilton Trindade, atual secretário de Articulação Institucional e Comunicação da Prefeitura de Montes Claros, ao mesmo tempo em que romantiza as tragédias das chuvas que colocam mais de 100 cidades de Minas Gerais em estado de emergência e de calamidade pública, aproveita para difamar dois jornalistas renomados do Norte de Minas: Waldyr Senna Batista e Jorge Silveira, que ultimamente e com argumentos e fatos mais convincentes, alertam, através de artigos também publicados e difundidos por este diário virtual, o montes-clarense para a situação triste em que se encontra este município norte-mineiro na Administração dita “Montes Claros Melhor A Cada Dia”.

Em uma tentativa de dramatizar mais ainda as chuvas que causam tragédias em Minas e minimizar o estado caótico em que MOC está, com menos chuvas do que no restante do estado, o artigo “Bendito sejas tu, ó buraco” dispara contra dois jornalistas renomados da cidade. “Parece que o sr. Waldyr Senna Batista e o sr. Jorge Silveira, que nunca e nada fizeram por Montes Claros, e outros poucos, isso não enxergam. E não agradecem a Deus, como o fazemos, por Montes Claros ter poucos ou muitos buracos e só. Essa gente tem buraco na consciência de cidadãos. De Montes Claros jamais o foram, cidadãos. São esquecidos e esquecidas personagens de um passado da ditadura que amavam e do poder do chicote e da chibata. Sem alma e coração. Daí que só enxergam o buraco. São cegos a uma Minas Gerais que sofre e chora, de gente, povo e de riquezas e economias destruídas”, escreve Trindade, na publicação 6.254 do “Jornal de Notícias”.

No final do artigo, na sua descrição, é informado que Hamilton Trindade é “secretário de Articulação Institucional e Comunicação da Prefeitura de Montes Claros, ex-diretor-superintendente do 'Jornal do Norte' e primeiro diretor-superintendente do 'Jornal de Notícias', ex-membro do Conselho Editorial do 'Jornal/Informativo PTB-Nacional' e primeiro ex-diretor-superintendente da 'TV GERAES'”.

Já Waldyr Senna Batista é o mais antigo e categorizado analista de Política em Montes Claros. Durante décadas, assinou a "Coluna do Secretário", n’"O Jornal de M. Claros", publicação antológica que editava na companhia de Oswaldo Antunes. É mestre reverenciado de uma geração de jornalistas mineiros, com vasto conhecimento de Política e da História Política Contemporânea do Brasil. Jorge Silveira é jornalista. Apresenta, no Canal 20, o programa de entrevistas "Frente à Frente" e declarou, no ar, quanto entrevistava os vereadores Marcos Nem (PSD) e Claudim da Prefeitura (PPS), que é contra a venda de um terço do terreno da Praça de Esportes para outros fins municipais. Para ele, a Praça de Esportes é patrimônio público e histórico da cidade, e merece ser preservada e restaurada.

O artigo de Hamilton Trindade começa a ganhar discussão nas redes sociais, como o Facebook. Foi só Vitor Queiroz Lenoir postar o artigo em seu mural e comentar que outra pessoa também já o comentou. “Com o texto abaixo, Hamilton Trindade conseguiu ser mais ridículo que o BBB e demonstra que compete de igual para igual com Tadeu Leite no quesito demagogia. Tadeu e os seus conluiados acham que o povo de Montes Claros é besta ou têm certeza? Que texto infamante! Usar das desgraças que ocorreram em outros lugares do país para tentar justificar a situação vexatória das vias públicas em consequência da péssima e desastrosa administração municipal de Montes Claros é algo extremamente repugnante! Como um indivíduo tem coragem de redigir um texto desses e publicá-lo num jornal (Caderno Opinião do “Jornal de Notícias”, do dia 11/01/2012)? Que politicagem rasteira! Que demonstração clara e idiota de interesse eleitoreiro!”, critica Lenoir com o texto publicado logo abaixo em seu mural do Facebook.

Outro comentário foi o de Leandra Medeiros. “Impressionante... (...) Chuvas provocam estragos naturalmente, todos sabemos... mas administradores públicos DEVERIAM cuidar das nossas cidades NATURALMENTE, assim os efeitos negativos da chuva seriam minimizados...”, analisa Medeiros.

CONFIRA ABAIXO A ÍNTEGRA DO ARTIGO PUBLICADO NO “Jornal de Notícias”

BENDITO SEJAS TU, Ó BURACO

POR Hamilton Trindade

Cidades de Minas Gerais estão, em quantidade numerosa, estampadas pela imprensa, qual seja ela, tomadas de calamidade. Inundações que invadem estas cidades inteiras. Arrastando sonhos e vidas. São rios que se formam às enxurradas de violenta correnteza de destruição e prejuízos. São rios que se avolumam e, de repente, viram mar e tomam a todos de surpresa e invadem lares e lhes arrancam as entranhas do convívio, espalham o terror e o desespero.

São encostas que cedem e, afrouxadas pelo volume de água interna à terra e taludes e contenções, e arrastam casas, prédios e vidas e também muitos sonhos. São gente/seres humanos que somaram os tostões e investiram nas cidades e nas suas periferias e roças e tiveram suas casas, lavouras, animais, veículos de boi e automotivos e vasilhames e eletrodomésticos tornados lixo, terra arrasada e desalentos.

São catástrofes que estão a eclodir pelos cantos das Minas e Gerais, tornando todos atônitos, estupefatos, alarmados, chorosos os de bom coração e, ao desespero, os desafortunados. São todos gente das Minas Gerais. Irmãos mineiros espalhados e contaminados pelo infortúnio.

São mostradas cenas de heróis anônimos e depois não mais, que em atos solidários, esquecem de si e se põem a salvar vidas e pessoas, em atos de heroísmo. Sem se falar dos fantásticos homens e mulheres que todos os dias os praticam do nosso Corpo de Bombeiros. Orgulho sempre.

São cidades que perderam seus chãos. São cidades que perderam suas referências. São cidades que perderam sua convivência de alegria e esperanças e sonhos. São cidades que se perderam quase que inteiras do mapa de Minas. São cidades-gente sofridas e sem teto e sem nada. São seres humanos, batidos e abatidos pelo desastre, natureza.

São autoridades buscando soluções plausíveis e rápidas. Primeiro para se preservar vidas. E conservá-las. Com todo o tipo de ações e políticas. São um povo de Brasil solidário, que vê casos semelhantes e parecidos em outros Estados e cidades. Aqui, Minas. É necessária, oportuna, esperada e urgente, a solidariedade. São enfim sufocadas e gritantes as vozes do infortúnio, das chuvas.

Parece que o sr. Waldyr Senna Batista e o sr. Jorge Silveira, que nunca e nada fizeram por Montes Claros, e outros poucos, isso não enxergam. E não agradecem a Deus, como o fazemos, por Montes Claros ter poucos ou muitos buracos e só. Essa gente tem buraco na consciência de cidadãos. De Montes Claros jamais o foram, cidadãos. São esquecidos e esquecidas personagens de um passado da ditadura que amavam e do poder do chicote e da chibata. Sem alma e coração. Daí que só enxergam o buraco. São cegos a uma Minas Gerais que sofre e chora, de gente, povo e de riquezas e economias destruídas.

Os que são solidários, seres humanos e gente podem dizer de alta e até soberba voz:

Bendito sejas, ó buraco.


Hamilton Trindade é secretário de Articulação Institucional e Comunicação da Prefeitura de Montes Claros, ex-diretor-superintendente do “Jornal do Norte” e 1° diretor-superintendente do “Jornal de Notícias”, ex-membro do Conselho Editorial do “Jornal/Informativo PTB-Nacional” e 1° ex-diretor-superintendente da “TV GERAES”

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