ou A Reinvenção do Cerrado
ou Como transformar Cerrado em Mata Seca
Pouco mais de um mês depois de supervisor da Copasa afirmar que abastecimento de água para MOC está tranquilo, técnicos da Secretaria Municipal de Agropecuária e da Emater demonstram preocupação com “seca verde”
A última notícia de 2009 do Blog da Assembleia Popular de Montes Claros (AP MOC) foi matéria assinada por Cida Santana em que o supervisor de Meio Ambiente da Copasa, José Ponciano Neto, garantia que “o abastecimento de água em Montes Claros para o ano de 2010 está tranquilo”. Porém, em release enviado por e-mail (correio eletrônico) nesta terça-feira, 09 de fevereiro de 2010, pela Assessoria de Comunicação da Prefeitura Municipal, técnicos da Secretaria de Agropecuária e Abastecimento de MOC e da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG) estão preocupados com a “seca verde” que, segundo os órgãos, atinge a região.
O release é assinado por José Wilson Santos, fato incomum na imprensa montes-clarense, já que os jornais da cidade raramente permitem que profissionais da Comunicação assinem suas matérias. Confira abaixo a íntegra do texto. E lembre-se que este é um release, que muito provavelmente tem a intenção de provocar a sensação de desespero na população, ao invés de informá-la sobre práticas culturais existentes há tempos de convivência com a seca no semiárido norte-mineiro e que têm pouco ou nenhum incentivo do Estado por conscientizarem as pessoas de que a ação comunitária é mais forte do que a dependência do aparelho estatal.
Seca verde
Montes Claros já sofre os efeitos da falta de chuva
As matas estão verdes, mas os rios estão quase secos e há dificuldades cada vez maiores para o abastecimento humano e animal em muitas comunidades. Esta é a situação que técnicos da Secretaria Municipal de Agropecuária e Abastecimento e da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater) vêm encontrando na zona rural de Montes Claros, durante levantamentos feitos para embasar uma eventual situação de emergência no município, condição jurídica necessária a que os governos municipal e estadual ajam, excepcionalmente, no atendimento às populações do campo.
Os levantamentos já realizados, com a documentação fotográfica da situação, sinalizam para a situação de emergência. “Vivemos a chamada seca verde. Quem não é da região pode achar a situação normal, já que estamos no período em que tradicionalmente chove e as matas estão verdes. Mas, na verdade, esta situação é ilusória: os rios estão quase secos, poços artesianos estão com vasões comprometidas e as lavouras não estão vingando. Na realidade, falta chuva e a situação começa a caminhar para o alarmante”, disse Antônio Donizete, técnico da Divisão de Extensão Rural.
Os técnicos da Emater e da Secretaria estão realizando um levantamento minucioso para respaldar as ações da Prefeitura de Montes Claros e do Governo de Minas no atendimento à população da zona rural. “Provavelmente, até o final de semana, o trabalho estará concluído, mostrando a realidade hídrica e o comprometimento das lavouras do município. Esses números subsidiarão a administração para uma eventual decretação de situação de emergência”.
O secretário Roberto Mauro Amaral lembrou que vários municípios do Norte de Minas vivem a mesma situação hoje diagnosticada em Montes Claros. “Muitos deles já decretaram situação de emergência, para terem as condições legais de atuarem excepcionalmente no atendimento às necessidades de suas populações rurais”, frisou.
Palavras Ilustradas
18 horas atrás

